terça-feira, janeiro 05, 2010

mudei de lugar

agora vou escrever, postar fotos, imagens, links, e o que der na telha no:

andreokuma.blogspot.com

see u there

quinta-feira, setembro 25, 2008

continhas de dividir

são meia noite e quinze, o ônibus está vazio, só há eu, um homem magro de 40 anos aproximadamente, e o motorista no ônibus, o ônibus é daqueles que não tem cobrador. Estou quase chegando em casa, estou exausto, a viagem diária é sempre longa e cansativa, só penso em tomar banho e ir dormir. O homem se levanta e dá o sinal, ele vai descer um ponto antes do meu, penso na sorte dele descer um ponto antes, pois ele acabou me lembrando que eu descerei no próximo, as vezes eu esqueço que preciso descer do ônibus, o ônibus freia, pára, e ao abrir a porta traseira, sobem de repente 2 homens, mal vestidos, agressivos, um deles vai direto ao motorista, pede dinheiro, o outro olha para mim, não tenho coragem de olhar para ele, "caralho, e aí Japa quanto tempo!!!" diz ele, viro-me e ele me cumprimenta, reconheço-o mas não consigo me lembrar de onde, retribuo o cumprimento com um sorriso, levanto-me, dou sinal, o outro homem está assaltando o motorista, o ônibus pára, eu desço, o ônibus continua, os homens não descem, ao sair do ônibus, o homem que me reconheceu grita "satisfação!" sorri para mim. Vendo o ônibus partir, me lembro quem era o cara, era um garoto que sentava ao meu lado na 2ª série, ele não sabia fazer contas de dividir, a professora pedia para mim ajudá-lo a resolver as contas, nunca fomos muito amigos, mas nos dávamos bem, ele sempre me dava bala.. Caralho, o cara virou ladrão, foi estranho, saber que nossas vidas tomaram rumos tão diferentes, ele era um garoto bonzinho, e nos olhos dele hoje vi o quão vazio e triste ele estava, gostaria de tê-lo reconhecido na hora, perguntar se ele havia aprendido a fazer contas de dividir. Como a vida dividiu.

sexta-feira, agosto 15, 2008

a marcha dos pingüins

Todos os dias por volta de 7:30 da manhã eu percorro um pequeno trecho que liga os trens da CPTM da estação da Luz com o metrô Luz, e neste horário de típico rush o excesso de pessoas e a limitada quantidade de catracas faz formar uma imensa fila de pessoas que vão se amontoando pouco a pouco até acontecer o que um amigo meu chama de a Marcha dos Pingüins, pois a passos curtos vamos todos caminhando em direção ao metro, uma voz onipresente (descobri depois que é um funcionário da SSO) certa vez disse que tal percursso dura 8 minutos, já fiz as contas 3 vezes e a média deu 11 minutos (num fim de semana o tempo é de 40 segundos), 11 minutos de pura reflexão existencial, pois durante os pequenos passos, o calor humano, os rostos vazios e apáticos, os cheiros de perfumes ora doces ora suaves, me faz pensar por que existimos? qual o significado das filas, da construção social no sentido hierárquico e funcional, e até mesmo ideológico, como somos guiados sem nos dar conta, aos montes para fazer a máquina funcionar, e que ao passar pela catraca nos achamos livres, livres para pegar a fila da escada rolante, e da porta do metrô, um fatalismo cômodo, como a mulher da bolsa de oncinha, que a pequenos passos, acha que é livre para comprar adereços que combinem com a estampa, ou com o velho que explica para seu neto que a fila é normal, e que temos que nos acostumar, que é preciso para o metro não se sobrecarregar, como se tudo fosse culpa nossa, da nossa vontade, do nosso prazer de se locomover, de irmos e virmos, de ser felizes como quisermos, não estamos felizes na fila, mas achamos que vamos ficar quando passarmos a catraca, nunca fiquei feliz depois da catraca, Schopenhauer estava certo como um soco no estomago, sofrer, sofrer e sofrer, e Marx como um chute no pâncreas, não sabemos que sofremos, somos anestesiados por algo incrivelmente eficiente, que nos faz ficarmos apáticos e acomodados na porra da marcha dos pingüins. A catraca chegou.

quinta-feira, junho 19, 2008

do filme de amor aos discos de falafes

olho no menu do restaurante, não consigo nem pronunciar as coisas que leio, levanto meus olhos sobre o menu e vejo M. minha namorada, ela sorri pra mim enquanto aprecia a pequenos goles sua limonada com rosas, o lugar é discreto, mas bastante cool, é um restaurante de comida marroquina, indiana ou sei lá o quê, chamo a garçonete, ela tem um chapéu vermelho e engraçado típico do Marrocos eu acho, pergunto a ela o que são os discos de falafes que estão no menu, ela me explica, não entendo nada do que ela disse, peço-os de qualquer forma. Este jantar é do dias dos namorados, me lembro que quando eu ainda nem namorava com M. saímos no dia dos namorados para ver um filme do Bressane no cinema, o "filme de amor", um filme totalmente cult, só tinha nós dois no cinema.. e agora olhando para os discos de falafes na minha frente, me lembrei da sofisticação do filme, e agora, dos discos de falafes, olho para M. novamente, penso como eu era um merda e quando começamos a sair, de um dia para o outro nos tornamos sofisticados, antes de conhecê-la eu ia ver homem aranha no cinema, ou o senhor dos anéis, comia big mac ou hot dog prensado na rua.. me sinto como se tivesse no iluminismo, foi no nosso primeiro dia dos namorados que ela me deu a primeira carta de amor, de muitas outras, e foi neste dia que eu gravei o primeiro cd, de muitos outros, ainda gravo musicas pra ela, e ela ainda me escreve cartas, as vezes escrevo e as vezes ela grava musicas pra mim, as vezes sinto que eu e ela estamos totalmente diferentes de quando nos conhecemos, as vezes penso que somos iguais ainda, no fim das contas, os discos de falafes são kibes redondos, no começo dá um frio na barriga, voce fica com receio se ele vai ser gostoso, mas são agradáveis, e conforme voce vai se acostumando com o gosto ele fica melhor, e quando voce se acostuma com o gosto de fato, vem a sobremesa... os doces libaneses.. e mesmo depois de tudo.. de novo o friozinho na barriga... como esses 4 anos, do filme de amor aos discos de falafes e os doces libaneses.

terça-feira, junho 03, 2008

Destruí o tempo em mil pedaços, mas ele não parou.

quinta-feira, maio 22, 2008

como se faz pra sair de uma cidade??

em homenagem a fatídica última visita a Mogi das Cruzes (que merece mais um romance do tipo "apanhador no campo de centeio" do que um mero post de um blog qualquer), vou postar o post que escrevi no blog da minha banda sobre a primeira vez que tocamos em Mogi:


"3 horas de viagem de trem + atraso do baterista = demora do caralho!

mas finalmente entramos em um novo círculo desta esfera armilar

chegamos ao pequeno mas aconghegante club na pacata e amígavel Mogi das Cruzes, o espaço tem o sugestivo nome de "Divina Comédia" , uma referência clássico de Dante Alighieri

aparentemente o próprio limbo, cheio de seres sem a fé e vontade de ir ao paraíso, mas entre uma itaipava e outra, pudemos concluir que estávamos em um novo círculo, o do purgatório, nem céu nem inferno, os fab four na porta estavam a nos recepcionar, se dante encontrou homero no limbo, encontramos bowie na pista do club,

fomos a primeira banda da noite, segue o set list.
1. paciência
2. Krias de Kafka
3. Rock Inglês
4. Sônico
5. Muito de tudo
6. Anestésica
7. Tuntá
8. Jonnhy Cash
9. Skilo Morto
10. Neo

10 circulos, o suficiente para nos levar até a rosa branca.

depois de nós tocou o ótimo "drama beat" trio de garotas com um rock com um pé no jonh spencer e outro no stooges, mas não pudemos ficar.

e por fim acabamos não vendo o show do G.A.T.

como diz adoniran barbosa, "se eu perder este trem só amanhã de manhã..."

por fim, por mais que gregory samsa seja uma barata, a vida ainda continua a mesma...

o trem ainda é um trem, e o rock, ainda é o ROCK!!!"


porém a pergunta ainda é pertinente: como se faz pra sair de uma cidade??

sem título (pois não tenho tempo pra isso)

gostaria de filmar um curta sobre as consequencias do pós-modernismo na vida de um adolescente de uma ABC decadente, mas não tenho tempo, gostaria de escrever uns contos sobre personagens comuns com sentimentos incomuns, mas não tenho tempo, gostaria de desenhar uns prédios do centro velho de são paulo e pintar com lápis aquarelado, mas não tenho tempo, gostaria de tirar fotos do pôr-do-sol em difentes lugares com diferentes combinações de obturação, exposição e balanço do branco, mas não tenho tempo, gostaria de mudar o mundo, mas não tenho tempo.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

algo sobre nada

o cenário é o seguinte:
as aulas voltaram, vou começar a fazer academia, minha câmera digital quebrou, minha banda tem 2 músicas novas, meu trabalho teve contrato renovado até o fim do ano, continuo amando minha namorada (agora mais do que nunca), o toque do meu celular agora é o regret do new order, e ando sem criatividade alguma pra escrever algo minimamente interessante.